terça-feira, 1 de abril de 2008

ALMA SOLITÁRIA

Ó alma doce e triste e palpitante !Que cítaras soluçam solitárias Pelas regiões longínquas, visionárias Do teu Sonho secreto e fascinante !
Quantas zonas de luz purificante,Quantos silêncios, quantas sombras váriasDe esferas imortais, imaginárias,Falam contigo, ó Alma cativante !
Que chama acende os teus faróis noturnosE veste os teus mistérios taciturnosDos esplendores do arco de aliança ?
Por que és assim, melancolicamente,Como um arcanjo infante, adolescente,Esquecido nos vales da esperança ?!

Meu anjo

Meu anjo tem o encanto, a maravilha,Da espontânea canção dos passarinhos;Tem os seios tão alvos, tão maciosComo o pêlo sedoso dos arminhos.
Triste de noite na janela a vejoE de seus lábios o gemido escuto.É leve a criatura vaporosaComo a froixa fumaça de um charuto.
Parece até que sobre a fronte angélicaUm anjo lhe depôs coroa e nimbo...Formosa a vejo assim entre meus sonhosMais bela no vapor do meu cachimbo.
como o vinho espanhol, um beijo delaEntorna ao sangue a luz do paraíso.Dá morte num desdém, num beijo vida,E celestes desmaios num sorrizo!
Mas quis a minha sina que seu peitoNão batesse por mim nem um minuto,E que ela fosse leviana e belaComo a leve fumaça de um charuto!
Adeus, meus sonhos!


Adeus, meus sonhos, eu pranteio e morro! Não levo da existência uma saudade! E tanta vida que meu peito enchia Morreu na minha triste mocidade! Misérrimo! Votei meus pobres dias À sina doida de um amor sem fruto, E minh'alma na treva agora dorme Como um olhar que a morte envolve em luto. Que me resta, meu Deus? Morra comigo A estrela de meus cândidos amores, Já não vejo no meu peito morto Um punhado sequer de murchas flores!
Quando o céu plúmbeo e baixo pesa como tampaSobre o espírito exposto aos tédios e aos açoites,E, ungindo toda a curva do horizonte, estampaUm dia mais escuro e triste do que as noites;
ca
Quando a terra se torna em calabouço horrendo,Onde a Esperança, qual morcego espavorido,As asas tímidas nos muros vai batendoE a cabeça roçando o teto apodrecido;
ca
Quando a chuva, a escorrer as tranças fugidias,Imita as grades de uma lúgubre cadeia,E a muda multidão das aranhas sombriasEstende em nosso cérebro uma espessa teia,
ca
Os sinos dobram, de repente, furibundosE lançam contra o céu um uivo horripilante,Como os espíritos sem pátria e vagabundosQue se põem a gemer com voz recalcitrante.
ca
¾ Sem musica ou tambor, desfila lentamenteEm minha alma uma esguia e fúnebre carreta;Chora a Esperança, e a Angústia, atroz e prepotente,Enterra-me no crânio uma bandeira preta.

goticos

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Estilo gótico - Wikipédia

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segunda-feira, 3 de setembro de 2007





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